quarta-feira, 12 de março de 2008

E ainda há quem diga mal destes tipos...


Os nossos queridos amigos Americanos, sempre preocupados com a defesa dos direitos e liberdades dos cidadãos deste Mundo, chegaram a acordo com a Polónia para instalação de escudos anti-mísseis em território polaco defendendo-nos assim de eventuais ataques lançados pelo Irão, Coreia do Norte, etc...

Em compensação o governo Norte Americano compromete-se a modernizar o exército Polaco.



Como são altruístas estes indivíduos...

Se não são eles a zelar pela paz o que seria de nós?



Cada vez que sou tocado pela graça do Senhor G.W.Bush, lembro-me sempre da carta que Mia Couto lhe escreveu aquando da invasão, perdão, missão de salvação do povo Iraquiano com direito a instauração de uma democracia e tudo!



Dizia assim:



Senhor Presidente:



Sou um escritor de uma nação pobre, um país que já esteve na vossa lista negra. Milhões de moçambicanos desconheciam que mal vos tínhamos feito. Éramos pequenos e pobres: que ameaça poderíamos constituir ? A nossa arma de destruição massiva estava, afinal, virada contra nós: era a fome e a miséria...



Alguns de nós estranharam o critério que levava a que o nosso nome fosse manchado enquanto outras nações beneficiavam da vossa simpatia. Por exemplo, o nosso vizinho - a África do Sul do "apartheid" - violava de forma flagrante os direitos humanos.



Durante décadas fomos vítimas da agressão desse regime. Mas o regime do "apartheid" mereceu da vossa parte uma atitude mais branda: o chamado "envolvimento positivo". O ANC esteve também na lista negra como uma "organização terrorista!". Estranho critério que levaria a que, anos mais tarde, os taliban e o próprio Bin Laden fossem chamadas de "freedom fighters" por estrategas norte-americanos.



Pois eu, pobre escritor de um pobre país, tive um sonho. Como Martin Luther King certa vez sonhou que a América era uma nação de todos os americanos. Pois sonhei que eu era não um homem mas um país. Sim, um país que não conseguia dormir. Porque vivia sobressaltado por terríveis factos. E esse temor fez com que proclamasse uma exigência. Uma exigência que tinha a ver consigo, Caro Presidente. E eu exigia que os Estados Unidos da América procedessem à eliminação do seu armamento de destruição massiva.



Por razão desses terríveis perigos eu exigia mais: que inspectores das Nações Unidas fossem enviados para o vosso país. Que terríveis perigos me alertavam? Que receios o vosso país me inspiravam? Não eram produtos de sonho, infelizmente. Eram factos que alimentavam a minha desconfiança. A lista é tão grande que escolherei apenas alguns:



- Os Estados Unidos foram a única nação do mundo que lançou bombas atómicas sobre outras nações; - O seu país foi a única nação a ser condenada por "uso ilegítimo da força" pelo Tribunal Internacional de Justiça;



- Forças americanas treinaram e armaram fundamentalistas islâmicos mais extremistas (incluindo o terrorista Bin Laden) a pretexto de derrubarem os invasores russos no Afeganistão;



- O regime de Saddam Hussein foi apoiado pelos EUA enquanto praticava as piores atrocidades contra os iraquianos (incluindo o gaseamento dos curdos em 1998);



- Como tantos outros dirigentes legítimos, o africano Patrice Lumumba foi assassinado com ajuda da CIA. Depois de preso e torturado e baleado na cabeça o seu corpo foi dissolvido em ácido clorídrico;



- Como tantos outros fantoches, Mobutu Seseseko foi por vossos agentes conduzido ao poder e concedeu facilidades especiais à espionagem americana: o quartel-general da CIA no Zaire tornou-se o maior em África. A ditadura brutal deste zairense não mereceu nenhum reparo dos EUA até que ele deixou de ser conveniente, em 1992;



- A invasão de Timor Leste pelos militares indonésios mereceu o apoio dos EUA. Quando as atrocidades foram conhecidas, a resposta da Administração Clinton foi "o assunto é da responsabilidade do governo indonésio e não queremos retirar-lhe essa responsabilidade";



- O vosso país albergou criminosos como Emmanuel Constant um dos líderes mais sanguinários do Taiti cujas forças para-militares massacraram milhares de inocentes. Constant foi julgado à revelia e as novas autoridades solicitaram a sua extradição. O governo americano recusou o pedido.



- Em Agosto de 1998, a força aérea dos EUA bombardeou no Sudão uma fábrica de medicamentos, designada Al-Shifa. Um engano? Não, tratava-se de uma retaliação dos atentados bombistas de Nairobi e Dar-es-Saalam.



- Em Dezembro de 1987, os Estados Unidos foi o único país (junto com Israel) a votar contra uma moção de condenação ao terrorismo internacional. Mesmo assim, a moção foi aprovada pelo voto de cento e cinquenta e três países.



- Em 1953, a CIA ajudou a preparar o golpe de Estado contra o Irão na sequência do qual milhares de comunistas do Tudeh foram massacrados. A lista de golpes preparados pela CIA é bem longa.



- Desde a Segunda Guerra Mundial, os EUA bombardearam: a China (1945-46), a Coreia e a China (1950-53), a Guatemala (1954), a Indonésia (1958), Cuba (1959-1961), a Guatemala (1960), o Congo (1964), o Peru (1965), o Laos (1961-1973), o Vietename (1961-1973), o Camboja (1969-1970), a Guatemala (1967-1973), Granada (1983), Líbano (1983-1984), a Líbia (1986), Salvador (1980), a Nicarágua (1980), o Irão(1987), o Panamá (1989), o Iraque (1990-2001), o Kuwait (1991), a Somália (1993), a Bósnia (1994-95), o Sudão (1998), o Afeganistão (1998), a Jugoslávia (1999).



- Acções de terrorismo biológico e químico foram postas em prática pelos EUA: o agente laranja e os desfolhantes no Vietname, o vírus da peste contra Cuba que durante anos devastou a produção suína naquele país.



- O Wall Street Journal publicou um relatório que anunciava que 500 000 crianças vietnamitas nasceram deformadas em consequência da guerra química das forças norte-americanas. Acordei do pesadelo do sono para o pesadelo da realidade. A guerra que o Senhor Presidente teimou em iniciar poderá libertar-nos de um ditador. Mas ficaremos todos mais pobres. Enfrentaremos maiores dificuldades nas nossas já precárias economias e teremos menos esperança num futuro governado pela razão e pela moral. Teremos menos fé na força reguladora das Nações Unidas e das convenções do direito internacional. Estaremos, enfim, mais sós e mais desamparados.



Senhor Presidente:



O Iraque não é Saddam. São 22 milhões de mães e filhos, e de homens que trabalham e sonham como fazem os comuns norte-americanos. Preocupamo-nos com os males do regime de Saddam Hussein que são reais. Mas esquece-se os horrores da primeira guerra do Golfo em que perderam a vida mais de 150 000 homens...



O que está destruindo massivamente os iraquianos não são as armas de Saddam. São as sanções que conduziram a uma situação humanitária tão grave que dois coordenadores para ajuda das Nações Unidas (Dennis Halliday e Hans Von Sponeck) pediram a demissão em protesto contra essas mesmas sanções. Explicando a razão da sua renúncia, Halliday escreveu: "Estamos destruindo toda uma sociedade. É tão simples e terrível como isso. E isso é ilegal e imoral". Esse sistema de sanções já levou à morte meio milhão de crianças iraquianas.



Mas a guerra contra o Iraque não está para começar. Já começou há muito tempo. Nas zonas de restrição aérea a Norte e Sul do Iraque acontecem continuamente bombardeamentos desde há 12 anos Acredita-se que 500 iraquianos foram mortos desde 1999. O bombardeamento incluiu o uso massivo de urânio empobrecido (300 toneladas, ou seja 30 vezes mais do que o usado no Kosovo).



Livrar-nos-emos de Saddam. Mas continuaremos prisioneiros da lógica da guerra e da arrogância. Não quero que os meus filhos (nem os seus) vivam dominados pelo fantasma do medo. E que pensem que, para viverem tranquilos, precisam de construir uma fortaleza. E que só estarão seguros quando se tiver que gastar fortunas em armas.



Como o seu país que despende 270 000 000 000 000 dólares (duzentos e setenta biliões de dólares) por ano para manter o arsenal de guerra. O senhor bem sabe o que essa soma poderia ajudar a mudar o destino miserável de milhões de seres. O bispo americano Monsenhor Robert Bowan escreveu- lhe no final do ano passado uma carta intitulada "Porque é que o mundo odeia os EUA ?"



O bispo da Igreja Católica da Florida é um ex--combatente na guerra do Vietname. Ele sabe o que é a guerra e escreveu: "O senhor reclama que os EUA são alvo do terrorismo porque defendemos a democracia, a liberdade e os direitos humanos. Que absurdo, Sr. Presidente ! Somos alvos dos terroristas porque, na maior parte do mundo, o nosso governo defendeu a ditadura, a escravidão e a exploração humana...



Somos alvos dos terroristas porque somos odiados. E somos odiados porque o nosso governo fez coisas odiosas. Em quantos países agentes do nosso governo depuseram líderes popularmente eleitos substituindo-os por ditadores militares, fantoches desejosos de vender o seu próprio povo às corporações norte-americanas multinacionais ? E o bispo conclui: O povo do Canadá desfruta de democracia, de liberdade e de direitos humanos, assim como o povo da Noruega e da Suécia.



Alguma vez o senhor ouviu falar de ataques a embaixadas canadianas, norueguesas ou suecas? Nós somos odiados não porque praticamos a democracia, a liberdade ou os direitos humanos. Somos odiados porque o nosso governo nega essas coisas aos povos dos países do Terceiro Mundo, cujos recursos são cobiçados pelas nossas multinacionais."



Senhor Presidente:



Sua Excelência parece não necessitar que uma instituição internacional legitime o seu direito de intervenção militar. Ao menos que possamos nós encontrar moral e verdade na sua argumentação. Eu e mais milhões de cidadãos não ficamos convencidos quando o vimos justificar a guerra. Nós preferíamos vê-lo assinar a Convenção de Quioto para conter o efeito de estufa. Preferíamos tê-lo visto em Durban na Conferência Internacional contra o Racismo. Não se preocupe, senhor Presidente.



A nós, nações pequenas deste mundo, não nos passa pela cabeça exigir a vossa demissão por causa desse apoio que as vossas sucessivas administrações concederam apoio a não menos sucessivos ditadores. A maior ameaça que pesa sobre a América não são armamentos de outros. É o universo de mentira que se criou em redor dos vossos cidadãos.



O perigo não é o regime de Saddam, nem nenhum outro regime. Mas o sentimento de superioridade que parece animar o seu governo. O seu inimigo principal não está fora. Está dentro dos EUA. Essa guerra só pode ser vencida pelos próprios americanos. Eu gostaria de poder festejar o derrube de Saddam Hussein. E festejar com todos os americanos. Mas sem hipocrisia, sem argumentação e consumo de diminuídos mentais. Porque nós, caro Presidente Bush, nós, os povos dos países pequenos, temos uma arma de construção massiva: a capacidade de pensar.


Apetece-me dizer:

Ó Mia mas tu ainda não reparaste que esse senhor não sabe, que ao contrário dele, somos possuidores de massa encefálica?

Para ele Mia, massa encefálica é a porção do seu corpo que usa segurar para mictar!


Beijos e abraços



49 comentários:

  1. Kapikua...
    Acho que foi a primeira vez em tanto tempo de blogoesfera que li um texto tão grande com uma sofreguidão , uma dor que me fez parar no meio... reflectir sobre algumas das frases de Mia e de lágrimas nos olhos imaginar-me no espaço destes povos que apenas tentam sobreviver, pois viver para eles é quase impossivel...
    Muito bom poat

    Parabéns!

    (*)

    ResponderEliminar
  2. não há fome que não dê em fartura. começo a acreditar que sempre me vai sair o euromilhões. bom, lá vou ter que não fazer nada esta tarde para te ler!

    ResponderEliminar
  3. primeiro: venho dizer olá e confessar-te que à medida que ia andando com o rato (não não é contigo rato, é com o outro ahahaha) ia pensando: ai! jesus! ai que o kapikua abriu a torneira, ai ai ai ahahahah
    segundo: agora vou ler deliciada :)

    ResponderEliminar
  4. Uma Vénia profunda te faço Kapikua por nos dares a ler esta carta e nos dizeres assim aquilo que sempre esquecemos, ainda que possuidores de massa encefálica, enquanto levamos esta nossa vidinha medíocre.. deixaremos algum dia de ser meros peões neste jogo macabro? infelizmente creio que não... muito mais para te dizer...

    ResponderEliminar
  5. Eles são tão queridinhos, estes senhores (que pensam)ser salvadores do mundo...
    Metem o nariz em todos os países,sempre com o intuito de ajudar...e depois deitam tudo a baixo, matam esfolam,julgam, tudo em nome do ideal da democracia...
    bolas, que seria, se não fossem...democratas...?!?
    será que o mundo ainda existiria?!?
    obrigada pelas visitas ao meu condominio aberto...rsrsrs
    abraço

    ResponderEliminar
  6. Rsrs... ainda nao encontro palavras.
    Parabens pelo post. Apenas...
    Bjs meus

    ResponderEliminar
  7. Ainda há pouco li algures que os EUA retiraram a China da lista negra. Será preciso dizer mais?

    ResponderEliminar
  8. Mas porque raio de motivo foram esses países aceites na União Europeia e se põem tantos entraves à Turquia?!

    Obrigada por me dares a hipótese de reler esta pérola de Mia Couto!!

    Fica bem!

    ResponderEliminar
  9. um momento:
    o texto é de uma força impressionante e fala de uma verdade tão evidente que parece impossível como pouca gente a quer ver.

    é o problema habitual de só repararmos no nosso umbigo

    beijo

    ResponderEliminar
  10. rato:

    lê e re-lê o texto do Mia Couto. E depois, se te apetecer, diz de tua justiça.

    Abraço

    ResponderEliminar
  11. cassamia:

    sabes que mais, SOMOS UMA G'ANDA MERDA!!!

    por isso é que estes gajos nos cagam em cima da maneira que o fazem!

    Beijo

    ResponderEliminar
  12. fotógrafa:

    e a impunidade com que fazem as maiores atrocidades?

    não há paciência...

    beijo

    ResponderEliminar
  13. diva:

    de nada, eu só fiz copy/paste. O teu, NOSSO (porque cidadão de dimensão universal) Mia é que é o responsavel por teres gostado.

    beijo

    ResponderEliminar
  14. rafeiro:

    eles permitem-se a tudo, desde que lhes seja conveniente.

    Depois, quando se fartam, arranjam um qualquer pretexto nobre para alterar a tomada de posição!

    grande abraço

    ResponderEliminar
  15. são:

    será porque estes países vêm com a ilusão do El Dorado? Dispostos a tudo para se dar bem?

    Como países que já estiveram do outro lado, deveriam ser capazes de perceber que os EUA nunca fizeram nada que não fosse para o seu próprio interesse.

    Beijo e obrigado pela visita

    ResponderEliminar
  16. É, mas só demonstram falta de inteligência!
    Eu é que agradeço a lucidez das análises. Abraço.

    ResponderEliminar
  17. BANDEIRA BRANCA NÃO É SÍMBOLO DE PAZ,POETA?






    um beijo com sabor de cravo e açúcar mascavo!

    eu

    ResponderEliminar
  18. Kapikua,

    George Bush passou e (passa) por cima da própria constituição americana e o senado e o congresso deram a um único homem LOUCO o presidente, o poder de iniciar uma guerra.

    As armas calam as pessoas que se atrevem a pensar.

    É triste!!!


    (a)braços e flores.Eu volto :)

    ResponderEliminar
  19. Kapikua, és muito mau. Deixas-nos ficar num secão durante uma semana, e depois, como já não bastasse, atiras-nos com um lençol deste tamanho?
    Por acaso, até não conhecia essa carta, e tive de a ler, porque caso contrário, mandava-te aqui uma cacetada...
    Abraços....e não repitas a gracinha.
    hehehehe

    ResponderEliminar
  20. estes gajos fazem-me lembrar a inquisição quando matavam as pessoas sob pressuposto de amarem e temerem a Deus.
    resta saber se esses escudos anti-mísseis serão suficientemente bons quando a américa vender os mísseis ao Irão e etc....
    enfim... são gente muito boazinha

    ResponderEliminar
  21. Em breve veremos o que vai mudar...
    Esse cowboy portou-se como uma abécula, que é...
    Infelizmente muitas vezes mudam as moscas, mas a merda.... fica igual
    Excelente postagem, essa carta da MC é digna de ser lida.
    Bjs

    ResponderEliminar
  22. O 'escudo anti-míssil' não se destina a impedir o Irão de destruir a América. Se é que o Irão está interessado nisso. Destina-se a pressionar o Kremlin. Os polacos, entalados entre a Russia e a Alemanha, sempre buscaram alianças ou com França ou com a Inglaterra. Buscam agora na América, quem lhes garanta o auxílio. Inseridos numa Europa que lhes paga de modo chorudo, não confiam nela. Causarão sempre problemas a mando do seu patrono, casos de tortura, este agora dos radares em apreço, cedência no tratamento de dados dos passageiros aéreos, e por aí fora.

    Carta do Mia Couto. Tendo acompanhado o descalabro das independências, não me satisfaz a lucidez recente, preferia a lucidez precoce. Mas as coisas têm o seu tempo. E nem todos nascem ensinados, ou querem perder tempo a aprender. Não há acção sem reacção. É da física. Os Américas fizeram isso tudo e muito mais. Mas não o fizeram sozinhos.

    As guerras por procuração tiveram mandantes, um desses mandantes foi a América. Os outros não foram meninos de coro. E desses Mia Couto não falou. Na condenação do seu povo à miséria, quem teve a maior quota, os Américas ou o partido único?

    Como manifesto contra a invasão do Iraque, está aceitável. Mas não conta a história toda.

    Como poeta e escritor, nada a apontar.

    Já o político...

    ResponderEliminar
  23. Um texto intenso e que nos faz reflectir e muito.

    ResponderEliminar
  24. No dia mundial da poesia...aqui fica,

    de PABLO NERUDA - 20 POEMAS DE AMOR E UMA CANÇÃO DESESPERADA

    Gosto quando te calas porque estás como ausente
    e me escutas de longe; minha voz não te toca.
    É como se tivessem esses teus olhos voado,
    como se houvesse um beijo lacrado a tua boca.
    Como as coisas estão repletas de minha alma,
    repleta de minha alma, das coisas te irradias.
    Borboleta de sonho, és igual à minha alma,
    e te assemelhas à palavra melancolia.
    Gosto quando te calas e estás como distante.
    Como se te queixasses, borboleta em arrulho.
    E me escutas de longe. Minha voz não te alcança.
    Deixa-me que me cale com teu silêncio puro.
    Deixa-me que te fale também com. teu silêncio
    claro qual uma lâmpada, simples como um anel.
    Tu és igual a noite, calada e constelada.
    Teu silêncio é de estrela, tão remoto e singelo.
    Gosto quando te calas porque estás como ausente.
    Distante e triste como se tivesses morrido.
    Uma palavra então e um s6 sorriso bastam.
    E estou alegre, alegre por não ter sido isso

    Bom fds
    abraço

    ResponderEliminar
  25. anónimo eu:

    A bandeira branca é de facto o símbolo da paz, se bem que por vezes é paz PODRE!

    Gostei desse beijo e retribuo em dobro.

    ResponderEliminar
  26. lampejo:

    As ARMAS tudo pretendem calar...

    beijo

    ResponderEliminar
  27. jonas:

    tás a ver? Demora mas depois lá sai qualquer coisa. Nem que seja um copy/paste de uma carta, hehehe

    grande abraço

    ResponderEliminar
  28. vsuzano:

    obrigado pela visita e pelo "não comentário" ;)

    Grande abraço

    ResponderEliminar
  29. storm:

    o que irrita nestes gajos é a hipocrisia e o facto de tomarem a malta toda como otários, não é?

    beijo

    ResponderEliminar
  30. olá!!:

    pode ser que mude para melhor!
    Pior que este senhor nem de propósito!

    beijo

    ResponderEliminar
  31. rato:

    1º ponto - nada a acrescentar.

    2º ponto - não o fizeram sózinhos, de facto. Mas fazem-no sistematicamente e onde há interesse.

    3º ponto - ó Rato, a política externa dos state é do mais sabujo que pode haver. E os meninos de coro são ainda piores pois assinam de cruz tudo o que o galifão diz.

    Era bom que a miséria daquele povo se devesse apenas a isso. Bastaria alterar a consituição e passariam a viver melhor.

    4º ponto - A carta do Mia serviu apenas como manifesto anti guerra no Iraque. No meu post serviu para reforçar a ideia que quis passar: HÁ AINDA ALGUÉM QUE ACREDITE NA BOA VONTADE DESTE TIPO? ´
    Bem sei que os Americanos não são (infelizmente) os únicos a proceder desta forma. Mas porque é que havemos de estar sempre a gramar com estes tipos a cagar lições de moral e de bons costumes?

    Grande abraço Rato!

    ResponderEliminar
  32. rui caetano:

    mais uma vez obrigado pela visita!

    grande abraço

    ResponderEliminar
  33. fotógrafa:

    obrigado pelo poema :)

    Bom fds

    BEIJO

    ResponderEliminar
  34. bom fim de semana kapikua e obrigada pelos teus mimos lá no meu canto :)

    ResponderEliminar
  35. cassamia:

    bom fds para ti!

    beijo

    ResponderEliminar
  36. kapikua, não foram os américas que mandaram construir aquela pequena palhota que servirá de residência ao ex-presidente Chissano. Louvado por todo o mundo como um exemplo de bom governante. Já aflorei em post antigo o assunto. Há a tendência de desculpar-mos estes sacanas e de enterrarmos os outros. Devemos meditar se essa nossa atitude é correcta e contribui para a solução do problema. Eu entre Bush e Chissano mando o diabo escolher.

    ResponderEliminar
  37. este texto é simplesmente genial...

    ResponderEliminar
  38. http://templodogiraldo.blogspot.com/


    Passem por aqui.


    SAUDAÇÕES.

    ResponderEliminar
  39. ... e agora atreve-te a ficar mais uma semana caladinho :)

    ResponderEliminar
  40. rato:

    eu nasci num Mundo onde a informação que me vendiam apregoava as atrcidades cometidas no Leste e as benfeitorias ocidentais!

    O meu post não desculpabiliza ninguém, apenas aponta o dedo ao Eixo do Bem, aos intocaveis que não se sujeitam ao Tribunal Internacional de Justiça.

    Os outros mais dia menos dia serão julgados, ó Rato!

    ResponderEliminar
  41. templo do giraldo:

    tás a ficar repetitivo Hóme :)

    abraço

    ResponderEliminar
  42. cassamia:

    já lá mora outro :)

    beijo

    ResponderEliminar
  43. Ai Kapikua...se tu soubesses o quanto me IRRITA...o facto dos Americanos, acharam que podem meter o dedo em tudo...que temos que reverenciá-los como potência e nação...que se acham os maiores do mundo....!!!!!!!

    Já me IRRITEI....:////

    Fica o brilho da carta de MC.....!

    Abraço:)))

    ResponderEliminar
  44. O grande Mia Couto que vê a vida com uns olhos que mais ninguém vê! Já conhecia esta carta, para além de gostar bastante do escritor, e não me importei nada de voltar a ler, mas quero anda voltar a ressalvar uma parte que achei importante: "O Iraque não é Saddam. São 22 milhões de mães e filhos, e de homens que trabalham e sonham como fazem os comuns norte-americanos."
    Fenomenal!
    :o)))***

    ResponderEliminar
  45. Hidra:

    e a mim? Eu não me considero Anti-Americano mas o que é certo é que a forma como eles fazem política externa é vergonhosa!

    Grande abaço

    ResponderEliminar
  46. Pearl:

    Para as potências o Iraque não é Saddam, é petróleo!


    beijo

    ResponderEliminar